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Mostrando postagens de setembro, 2011

EDUCAÇÃO INFANTIL: CADÊ A BRINCADEIRA?

Nesses dias me pus a pensar sobre a infância. Ah, que tempo delicioso! A gente aprendia verdadeiramente com a vida, porque viver a infância era uma brincadeira quase sem fim. O viver infantil era brincar, envolver-se em situações brincantes, estar em estado criativo, mágico, encantador, era um mundo de descobertas. Olhando para as crianças de hoje, sem querer ser saudosista nem desconsiderar o momento histórico-social em que vivemos, constatamos que estamos diante de uma cultura em que não há espaços, de modo geral, para as brincadeiras. Isso impede as crianças de expressarem a sua cultura de infância, uma vez que as brincadeiras vêm sendo percebidas sob o ponto de vista produtivo, comumente confundidas e trabalhadas como conteúdos desportivos, atualmente muito valorizados. De fato, nossa sociedade mudou, temos uma inversão de papéis e valores, mais informação do que podemos absorver; a mulher trabalha fora, o avanço tecnológico é grande, a família mudou, a criança se transformou,...

CONTEXTO E REALIDADE DAS JUVENTUDES: ALGUMAS NOTAS

1. Juventude: conceito complexo e multidimensional Compartilho da ideia de que conceituar juventude não é uma tarefa fácil e sua definição depende dos interesses de quem maneja esse conceito e de quem trabalha com esse segmento. Acreditamos que o contexto socioeconômico, social, histórico e cultural contribui e é determinante na compreensão do conceito de juventude e na relação que com ela se estabele. Compreendo a juventude como um fenômeno multidimensional, caracterizado por fatores diversos relativos: à geração, à educação, ao trabalho, à comunicação, à participação e à exclusão do consumo, dentre outros fatores. Portanto, juventude é uma construção social e cultural, o que implica pensar os/as jovens a partir do contexto e da condição em que vivem no Brasil. Nesse sentido, podemos dizer que a juventude não é só um segmento situado na faixa etária que vai dos 15 aos 29 anos, portanto uma breve passagem, mas a vivência de um período (complexo e multidimensional) específico ...

PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM: PARA QUE TE QUERO?

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Tem-se discutido muito os rumos da educação e como a escola deve estruturar o processo de ensino-aprendizagem . Não há receitas, porque o ensinar e o aprender são fenômenos históricos e sociais, portanto são contextualizados, além de serem fenômenos multidimensionais. Hoje, porém, ainda se debate muito sobre o processo de ensino-aprendizagem tendo como referência algumas abordagens teóricas e metodológicas , originadas em contextos históricos e sociais diferentes dos que vivemos atualmente, embora com eles tenham significativa relação. Correndo o perigo de cair no simplismo teórico, podemos dizer que o ensinar e o aprender, como processos interligados, articulados e interdependentes, sempre se debateram em torno de quatro tendências, as quais poderíamos resumi-las em quatro palavrar fortes: transmitir, moldar, humanizar e integrar. Ensinar-aprender é transmitir? Até hoje, infelizmente, muita gente entende e defende que o ensinar-aprender é transmitir, ou seja, que o pape...

CRISE CIVILIZACIONAL: ALGUNS SINTOMAS

Em um de nossos artigos, falamos da crise ecológica como uma crise integrante de uma crise maior: a crise civilizacional . Comentamos que um dos grandes sintomas dessa crise é a destruição, o descuido e descaso com o meio ambiente, enfim, com os ecossistemas que garantem a reprodução da vida humana, aguática, mineral, vegetal e animal em nosso Planeta. Vimos que nosso Planeta agoniza, pede socorro e uma parcela de pessoas, grupos, instituições e alguns poucos governos no mundo, em vários lugares, em diferentes territórios e de muitas maneiras, procuram fazer algo em sua defesa e preservação. A cidadania plenetária, de que tanto nos fala Leonardo Boff, ainda não é uma realidade no mundo, apesar de muitas e significativas iniciativas, como, por exemplo, o Fórum Social Mundial, a Campanha contra a construção do Oleoduto de Keystone XL, que vai atravessar os Estados Unidos até o Golfo do México para explorar as areias betuminosas, dentre outras. Mas, além da destruição, descu...

POBREZA DE EXPERIÊNCIA: O MAL-ESTAR DE NOSSOS TEMPOS?

Queridos leitores e queridas leitoras desse Blog, nesse post de hoje quero compartilhar com vocês um tipo de pobreza que está se alastrando em nossos tempos, mesmo que estejamos vivendo em tempos caracterizados pela ânfase ao que é imediato, ao presente, ao agora, ao latejante ou pulsante; em tempos do primado do individualismo: “a liberdade de cada um imprimir sua exterioridade com selo de sua individualidade para nela poder reconhecer-se e fazer-se reconhecer” (Gabriel Monod). Falo da pobreza de experiência. Essa questão tem povoado minha vida, minha mente e muitas discussões com jovens, grupos e organizações sociais. Parece que cada vez menos, conseguimos perceber o sentido do que estamos fazendo no cotidiano de nossas vidas. Há uma sensação de mal-estar geral, como se nos sentíssemos distantes da realização de nossos sonhos e possibilidades. Pensamos e fazemos com certa mecanicidade ou instantaneidade nossas tarefas, atividades, projetos e afazeres. Quase sempre não sentimos a...

COMO ANALISAR A CONJUNTURA

Este artigo é direcionado especialmente para as pessoas que têm algum tipo de atuação no social e deseja apropriar-se de um método simples de análise da conjuntura sociopolítica e econômica – conjunto de fatos, situações, acontecimentos, liderado ou conduzido hegemonicamente por uma pessoa, grupo, instituição, governo, etc., chamado aqui de ator, porque desempenha um determinado papel, seja ele social, político, econômico, religioso, cultural. Eu usei esse método várias vezes no trabalho com grupos, instituições, movimentos. Você pode usá-lo em suas atividades sociais ou comunitárias, sempre que precisar discutir a realidade social e política da comunidade, município, estado ou do país. Eu aprendi esse método com Herbert de Souza – o Betinho, já falecido, grande sociólogo e animador do Movimento “Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida”. Sei que vivemos num tempo em que pouca gente e poucas organizações da sociedade civil analisam a conjuntura. Parece que há um certo...

PALAVRA E CORPO

Nesses últimos dias, sob um movimento de devaneio do espírito, inquieto senti-me pensando em dois grandes poderes: o poder da palavra e do corpo, elementos fundantes e mediadores da comunicação. E me perguntei: qual desses poderes tenho acessado mais em meu cotidiano? A resposta foi óbvia: o poder da palavra, do verbo. Logo, conclui: falo mais com o verbo do que com o corpo. Na inquietude dessa reflexão, buscando entender melhor a razão pela qual nos comunicamos pouco com nosso próprio corpo, me fez pensar o quanto somos exageradamente racionais e não exploramos, mobilizamos as nossas inteligências que caracterizam e configuram esses poderes. É, a gente tem muitas inteligências. Foi isso que descobriu o psicólogo Howard Gardner, que afirma que nós temos dez inteligências: linguística, que se manifesta na habilidade para lidar com as palavras nos diferentes níveis de linguagem; a lógico-matemática, a que determina a habilidade para o raciocínio dedutivo; a musical, que nos permite org...

AS DIVERSAS FACES DA POLÍTICA

A preocupação com o político tornou-se um imperativo na nossa sociedade. Esse fato nos lembra uma pergunta, levantada por Hanna Arendt, filósofa alemã, que morreu nos anos 70 (século XX), numa de suas obras, por sinal muito atual para os nossos tempos: “Tem a política algum sentido?”. Ela é atual porque nas últimas duas décadas, período em que no Brasil passamos por profundas transformações advindas das políticas neoliberais, cujas conseqüências alteraram o modo de conceber a política e de atuar no espaço do político. Essas transformações mexeram nas representações que tínhamos da política e mudaram o papel do Estado (suas instituições) e da Sociedade Civil (e suas instituições). O resultado mais concreto dessas transformações é uma profunda e crescente apatia e aversão à política e suas instituições, principalmente os partidos políticos. Esse período de ascensão e fortalecimento das políticas neoliberais, coincide com a luta dos movimentos e organizações sociais pela redemocratizaçã...

OS SETE SABERES NECESSÁRIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO

Quais seriam os saberes necessários à educação do futuro, considerando que caminhamos para a consolidação da chamada "Sociedade da Aprendizagem"? A UNESCO pediu e Edgar Morin respondeu a questão no livro "Os sete saberes necessários à educação do futuro", publicado pela Editora Cortez em 2001, no qual faz uma profunda e transdisciplinar reflexão sobre a educação do amanhã. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão Neste capítulo, o autor questiona a cegueira da educação , que não enxerga o que é o conhecimento humano, seus dispositivos, enfermidades, dificuldades, tendências ao erro e à ilusão; não se preocupa em conhecer o que é conhecer. Portanto, defende que se conheça a natureza do conhecimento, implicando no estudo das características cerebrais, mentais, culturais dos conhecimentos humanos, de seus processos e modalidades, das disposições psíquicas e culturais que conduzem esse conhecimento ao erro e à ilusão. Morin entende que todo conhecimento compo...

Algumas dimensões do Processo de Formação nas ONGs

Este é o terceiro artigo no qual tratamos sobre o tema da formação no campo das ONGs e das organizações do Terceiro Setor. Um pressuposto da Formação Um pressuposto importante para a construção de uma proposta de formação no campo das ONGs e do Terceiro Setor diz respeito às dimensões que podem ser priorizadas ou privilegiadas no trabalho formativo. Essas dimensões podem nos ajudar a definir os objetivos, as estratégias, a estrutura, as temáticas do processo de formação. Dimensão 1: Sociopolítica-cultural Nesta dimensão seriam organizadas as temáticas e as atividades formativas relacionadas à “instrumentalização” das pessoas, organizações, movimentos sociais e comunidades em relação à compreensão e leitura crítica permanente da realidade social, política, econômica, cultural e simbólica em seus diferentes níveis: local, regional, nacional, em nível de América Latina e global, a partir do conhecimento e utilização das ferramentas de análise da realidade de cunho histórico, soci...